Bem-vind@ à página oficial do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo da Universidade Federal Fluminense (NIEP-Marx/UFF). Constituído em 2003, o NIEP-Marx articula o trabalho de ensino e pesquisa no campo marxista desenvolvido por professores e pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) em diversas unidades. Atualmente, o grupo é constituído pelo elenco de professores/pesquisadores da UFF e pesquisadores associados. A lista de pesquisadores encontra-se na aba Integrantes do menu acima.
Nos dias 15 de outubro, comemoramos o dia da professora e do professor. Neste 15 de outubro de 2026, a celebração vem na forma de luta: em defesa da educação pública; em defesa das universidades públicas; em defesa da ciência e da tecnologia, produzidas internamente e sob controle soberano do povo brasileiro; em defesa de um Brasil em que possamos continuar lutando por esses objetivos.
Por isso, nós, docentes e discentes que compõem o NIEP-Marx, queremos de público manifestar nosso apoio e solidariedade aos estudantes e às estudantes que desde o dia 05 de outubro estão se manifestando nas ruas de todo o país, por essas mesmas bandeiras, cientes da ameaça que paira sobre o país no processo eleitoral em curso. Solidarizamo-nos, também, com as pessoas que sofreram perdas provocadas pelo incêndio na UFPE e com as que se sentiram ameaçadas pelas tentativas de intimidação – como a registrada na nossa Universidade Federal Fluminense (UFF) – associadas a articulações criminosas para promover explosões e novos incêndios nos campi universitários.
Essas ameaças são apenas uma amostra do ódio canalizado contra as universidades e da destruição que nos espera caso o representante do neofascismo bolsonarista seja eleito presidente da República daqui a dez dias. Já experimentamos, entre 2019 e 2022, o estrangulamento orçamentário, o congelamento salarial, o corte de bolsas e verbas para assistência estudantil, o negacionismo científico (ao custo trágico de 700 mil mortes, ao menos 400 mil delas evitáveis) durante a pandemia de COVID-19, assim como a desqualificação do trabalho no ensino e na produção de conhecimento nas escolas e universidades públicas, em nome do combate à “doutrinação ideológica” e à “balbúrdia”. Sabemos que, no próximo período, caso a vitória do filho do ex-presidente se consume, tudo isso pode se repetir e se agravar. Afinal, com maioria no Legislativo e poder de nomear novos ministros para o Supremo Tribunal Federal, o espaço para novos ataques será maior. E as promessas de um “tesouraço” no orçamento público apontam justamente nessa direção.
A volta do neofascismo ao governo brasileiro é uma ameaça não apenas às universidades e à educação pública, mas ao conjunto das representações organizadas da maioria trabalhadora da população, à soberania nacional, aos direitos sociais e aos direitos democráticos conquistados com muita luta, inclusive dos que pagaram com a própria vida por defenderem democracia e soberania nacional. Ameaças agravadas pelo apoio da gestão de Trump nos Estados Unidos, que interfere diretamente no processo eleitoral brasileiro (via tarifas, sanções a autoridades, ameaças de mais sanções e intervenções mais diretas pelo enquadramento de organizações criminosas como terroristas, ação tendenciosa das “Big Techs” etc.) e é articulada a governos de extrema-direita aliados/subordinados em boa parte da América Latina. Por isso, eleger o neofascista agora, será pavimentar o caminho, já historicamente construído pela dependência econômica, para a conversão completa do Brasil em um mero fornecedor de “recursos naturais” para a maior economia capitalista do planeta, com a consequente elevação do patamar de superexploração da força de trabalho, que tanto a resistência empresarial e da extrema-direita ao fim da escala 6×1 quanto a proposta programática do seu candidato, de pagamento por hora trabalhada, revelam de maneira límpida.
Como pesquisadoras e pesquisadores marxistas, temos alertado, já há vários anos, que o capitalismo está nos empurrando para o precipício das catástrofes – ambiental e social. Denunciamos também que o retorno do fascismo (em suas velhas ou novas roupagens) é, ao mesmo tempo, resultado e projeto da forma como o capital busca administrar sua crise com violência coercitiva ampliada, para conter preventiva e permanentemente o latente descontentamento das massas exploradas, oprimidas e alienadas que essa mesma lógica do capital produz.
Como pesquisadoras e pesquisadores marxistas somos, por definição, críticos e comportamos distintas avaliações sobre os governos do Partido dos Trabalhadores e seus limites. Afinal, além de crítica, a tradição marxista é plural. Porém, hoje nos une uma certeza: a de que, para continuar exercendo a crítica com o mínimo de liberdade e para continuar lutando por um amanhã em que a universidade possa servir à emancipação da humanidade frente à ameaça existencial representada pela ordem do capital, temos um lado nesse processo eleitoral. Derrotar o neofascismo, reelegendo o presidente Lula da Silva é apenas um passo, mas hoje um passo decisivo, para garantirmos as condições de seguirmos em nosso esforço – na universidade pública e fora dela – para construirmos um outro futuro, cada vez mais ameaçado, porém ainda possível e, mais que nunca, necessário.
Niterói, 15 de outubro de 2026
Pesquisadoras e pesquisadores do NIEP-MARX
Novidades
Curso Marx e o Marxismo 2026: Marxismo em tempos de crise
Inscrições antecipadas encerradas. Procure a secretaria do evento para inscrever-se (a depender da disponibilidade de vagas no auditório).
Grade NIEP-Marx – 2º semestre de 2026
Clique no botão e baixe a grade com a lista de disciplinas oferecidas pelos professores do grupo em 2/2026.
Revista Marx e o Marxismo
Revista do NIEP-Marx
Última edição: v.14, n. 26 (jan-jul 2026)
Leia, divulgue e contribua para a
publicação oficial do NIEP-Marx
Coleção NIEP-Marx:
Volume VIII
MARX VAI AO CINEMA
Org. Alexandre Velden, José Rodrigues e João Leonardo Medeiros

